segunda-feira, 1 de outubro de 2012

O Nú de cada retina

Capa do disco "Todos os Olhos", de Tom Zé


I

Quando olhas para os olhos dele
Miras não o azul bonito da íris,
mas o vermelho manchado.
A falha que deus não calculou
por que a falha é o divino de um humano.
A sua infinita beleza. Mirava -
a infinita beleza às manchas daquela íris.

II

As insônias, o cansaço, o vestígio do pó,
uns traços sanguíneos,
uns ciscos do vento, uns ciscos da lida,
o soco não revidado da vida (o que tinha de lindo -
o soco não revidado da vida)...
o  nú de cada retina.

III

     folha caída
- sem monte, nem oliveira -
     um versículo perdido,

     um colírio que cai
no nublado que fica



Jack Borandá