domingo, 15 de janeiro de 2012
domingo, 31 de julho de 2011
Ao som de "Lucinda"
sim, cheguei a intuir um aeroporto
na curva cava do seu ombro, tórax, pescoço
pois dele embora não levantasse vôo
sabia ser rês do chão todo e qualquer
depois e as rotas de retorno.
minha procura por ti tinha a poesia
de um táxi que contorna o aeroporto,
transporta passageiro e, embora desejo,
via sempre partir e ter de retornar novamente
às rotas de retorno.
e são sempre de um tráfego caótico
e é sempre de uma tristeza fina
daquelas que mal se define ser qual estação,
uma vaga presença de música sob uma
textura quase táctil de chiados
ao qual você leva a mão tentando
sitonizar mas de tão fina a tristeza
que você se abandona ao chiado
e a vaga música dissonante.
minha procura por ti tinha a solidão
de um táxi que contornar o girador
atrás das rotas de retorno
sempre engarrafadas de outros táxis,
carros de passeio, carretas, bicicletas,
conduções, coletivos, motos e pickups,
que vistos de cima dão a impressão duma multidão comum
mas de dentro - são apenas
solidões diligentes entre o aeroporto,
giradores e as dificeis rotas de retorno.
Jack Borandá
(Imagens: Brassaï)
na curva cava do seu ombro, tórax, pescoço

pois dele embora não levantasse vôo
sabia ser rês do chão todo e qualquer
depois e as rotas de retorno.
minha procura por ti tinha a poesia
de um táxi que contorna o aeroporto,
transporta passageiro e, embora desejo,
via sempre partir e ter de retornar novamente
às rotas de retorno.
e são sempre de um tráfego caótico
e é sempre de uma tristeza fina
daquelas que mal se define ser qual estação,
uma vaga presença de música sob uma
textura quase táctil de chiados
ao qual você leva a mão tentando
sitonizar mas de tão fina a tristeza
que você se abandona ao chiado
e a vaga música dissonante.
de um táxi que contornar o girador
atrás das rotas de retorno
sempre engarrafadas de outros táxis,
carros de passeio, carretas, bicicletas,
conduções, coletivos, motos e pickups,
que vistos de cima dão a impressão duma multidão comum
mas de dentro - são apenas
solidões diligentes entre o aeroporto,
giradores e as dificeis rotas de retorno.
Jack Borandá
(Imagens: Brassaï)
domingo, 17 de julho de 2011
Ouvindo . . .
Dance me to the end of Love - Leonard Cohen ( O autor da canção e uma vozinha rouca massa)

Download: http://www.4shared.com/audio/gksB3fAA/Leonard_Cohen_-_DANCE_ME_TO_TH.htm
Dance me to the end of Love - Madeleine Peyroux ( A melhor intérpretação em disparada)

Download: http://www.4shared.com/audio/-MQ-UV03/Madeleine_Peyroux_-_Dance_Me_t.htm

Download: http://www.4shared.com/audio/gksB3fAA/Leonard_Cohen_-_DANCE_ME_TO_TH.htm
Dance me to the end of Love - Madeleine Peyroux ( A melhor intérpretação em disparada)

Download: http://www.4shared.com/audio/-MQ-UV03/Madeleine_Peyroux_-_Dance_Me_t.htm
sábado, 16 de julho de 2011
Ao som de "Dance me to the end of love"
nem é tão longe,
longa só a distância
da palavra ao pé do ouvido
e da boca que mente
mais um assunto qualquer e banal.
nem é tão fundo,
profunda só a légua
que se enxerga
no gelo derretendo
enquanto os olhos tão rasos
tão nítidos, se antevendo.
nem é tão longe,
longa só a distância
da razão declinando
languidamente
ombro com ombro
ao som do bar
e do doce pavor
(sem saber dançar
ou julgar se começou
pra se levar ao fim, do que,
instinto engano,
quiça, sim, talvez, )
- O que?
- Falou?
domingo, 3 de julho de 2011
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Caio F. ( para ler ao som de London London)
"Sem data
Claro, o dia de amanhã cuidará do dia de amanhã e tudo chegará no tempo exato. Mas e o dia de hoje?
Só quero ir indo junto com as coisas, ir sendo junto com elas, ao mesmo tempo, até um lugar que não sei onde fica, e que você até pode chamar de morte, mas eu chamo apenas de porto.
2 de março
Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toq
ues e .ignoro todas as tentativas de aproximação. Tenho vontade de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso.
A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão".
A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão".
[ Caio Fernando Abreu ]

Trecho do conto Lixo e Purpurina do livro Ovelhas Negras. O conto é uma espécie de diário literário da estadia do autor em Londres. Um conto fragmentado onde a unidade maior é do sentimento interior de inadequação, do sentimento de eterno estrangeiro.
Música: London London/Interprete: Cibelle
Download:
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Ao som de "Go or go ahead"
Não confunda os pés por entre os rastros.
Sei por onde cheguei.
Difícil é encarar quando a estrada se estende inteira
e nós: à parte - recolhendo pegadas,
estudando atalhos, pedindo carona a algum vento sensato.
Perdão, por nada se ter a perdoar.
A estrada que não nos cabia.
Agora, um p'ra cada margem.
Quando me estendia a mão era menor a minha confusão.
Quando me estendia a mão era menor a própria estrada
Quando me estendia a mão não doía tanto assim a caminhada
de nós a parte, recolhendo pegadas,
estudando atalhos, pedindo carona a algum vento solidário
Calculando gentilezas para cobrir a dor alheia que se imagina responsável
mas no fundo tão minha como um espelho evitado
Ir e sempre ir
ir sempre, e...
E o que se faz com uma estrada abandonada? Onde se guarda?
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