segunda-feira, 2 de julho de 2012

Na areia do além mar

 Jack Borandá e Edilma Maria


Não me conheces verdadeiramente, mas estou em tuas preces solares/invernia à beira mar. Não me conheces, mas me enfeitas com flores nativas como se eu fosse teu encanto por iemanjá. Não me conheces, mas eu teu ser sou o teu mundo desconhecido e evoluído que espraias em ondas cinzas de inverno.

O sentimento de liberdade que está em mim te alcança e eu entro em teu caminho como se fosse um segredo de nós dois e te envolvo como envolve o sal à carne e te salgo de desejo salobro; de fé e medo; de esperança e desejo. Então pairo em teu ser e adentro teus caminhos como se estivéssemos em uma pista de dança na areia do além mar e te convido, com o corpo suado de desejo, a dançar um tango nas tranças cálidas das águas turvas e descubro em ti o segredo do ardor em cada ferida encoberta pelas areias brancas do arrastão da preamar e sinto em minha'lma o repuxo que te puxa ao fundo do mar aberto e, pasmo, ajo como um refluxo em tua vida e te encanto como se fosse eu a tua glória à Iemanjá e me calo.

Olha, não me conheces, mas habito em tuas preces e em teu corpo frágil e suado de espuma branca que se espraia para além do mar aberto que teus pés alcançam.

A co-autora Edilma Maria mantém o blog http://ogatoporlebre.blogspot.com.br onde publica cativamente diversos textos de sua autoria. Confiram!

domingo, 31 de julho de 2011

Ao som de "Lucinda"

sim, cheguei a intuir um aeroporto
na curva cava do seu ombro, tórax, pescoço
pois dele embora não levantasse vôo
sabia ser rês do chão todo e qualquer
depois e as rotas de retorno.
minha procura por ti tinha a poesia
de um táxi que contorna o aeroporto,
transporta passageiro e, embora desejo,
via sempre partir e ter de retornar novamente
às rotas de retorno.

e são sempre de um tráfego caótico
e é sempre de uma tristeza fina
daquelas que mal se define ser qual estação,
uma vaga presença de música sob uma
textura quase táctil de chiados
ao qual você leva a mão tentando
sitonizar mas de tão fina a tristeza
que você se abandona ao chiado
e a vaga música dissonante.


minha procura por ti tinha a solidão
de um táxi que contornar o girador
atrás das rotas de retorno


sempre engarrafadas de outros táxis,
carros de passeio, carretas, bicicletas,
conduções, coletivos, motos e pickups,
que vistos de cima dão a impressão duma multidão comum
mas de dentro - são apenas
solidões diligentes entre o aeroporto,
giradores e as dificeis rotas de retorno.

Jack Borandá
(Imagens: Brassaï)

domingo, 17 de julho de 2011

Ouvindo . . .

Dance me to the end of Love - Leonard Cohen ( O autor da canção e uma vozinha rouca massa)

















Download: http://www.4shared.com/audio/gksB3fAA/Leonard_Cohen_-_DANCE_ME_TO_TH.htm


Dance me to the end of Love - Madeleine Peyroux ( A melhor intérpretação em disparada)




















Download: http://www.4shared.com/audio/-MQ-UV03/Madeleine_Peyroux_-_Dance_Me_t.htm

sábado, 16 de julho de 2011

Ao som de "Dance me to the end of love"










nem é tão longe,
longa só a distância
da palavra ao pé do ouvido
e da boca que mente
mais um assunto qualquer e banal.

nem é tão fundo,
profunda só a légua
que se enxerga
no gelo derretendo
enquanto os olhos tão rasos
tão nítidos, se antevendo.

nem é tão longe,
longa só a distância
da razão declinando
languidamente
ombro com ombro
ao som do bar
e do doce pavor

(sem saber dançar
ou julgar se começou
pra se levar ao fim, do que,
instinto engano,
quiça, sim, talvez, )


- O que?


- Falou?