domingo, 20 de março de 2011

Do mar, distâncias e braçadas


e eis que estendo o braço

e eis cada braçada

e eis nenhuma fadiga,

dali da baia ninguém se afligia,

de todos os santos, de todos os homens, de todos os mortos

afligia ninguém o mar e seus afogados



e eis a distância

e eis nenhuma chegada

e eis que estendo o braço

e eis cada braçada

do meio dia meia vida melodia (de meus músculos)

em face d'água agitada

e eis que estendo o braço

o menos cansado

e eis a distância que trazia

consigo, debaixo,

fragatas paradas lembram algum homem

e sua medida desde a baía

de todos os santos, todos os homens, todos os mortos,

e eis o mar que ninguém avistava,

que ali na baía violentava a sua ressaca

os afogados, os vi por si,

que dali da baía ninguém,

de boca aberta,

ninguém, ninguém, meu deus, ninguém respirava.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Estação Solidão

...Solidão
Estou só
Sem sol
Solstício de dor
Minh´alma está nua
Como a lua
Falta algo...
Os (de) lírios florescem
Meus pensamentos são como ondas
Vai...
E vem...
Em devaneios na estação
Solidão!

Dayvson Fabiano

O poeta mantém um acervo adorável no site:

Meio que assim, de repente

(Ao som de Janis Joplin)

Ontem à noite, sabe, meio que assim de repente, de uma hora pra outra, sem eu nem tentar nada, me veio uma doce saudade de você.
Pensei então em te ligar, mas não tenho seu número. Então comecei a escrever uma carta que ainda nem sei se vou enviar. Tão linda, e então, assim, de repente novamente me vem um amor por eu saber que você continua aí, mesmo longe de mim, mesmo longe dos meus olhares, das minhas admirações, das minhas alucinações e que eu te amo.
Te amo até os ossos.
Te amo com a essência da coisa viva.
Te amo com todas as forças da minha alma.
Com tudo que me faz lembrar de você. E entao eu choro, meio que assim de repente, sabe. Quero te tocar, sentir tua têmpora latejante na pontas dos meus dedos, quero subir numa árvore com você em um belo dia de chuva e chorar, meio que assim, sabe, de repente.

Jhonn Abreu

Idílio

te vejo nas sombras dos galhos
com pássaros e frutas maduras
a me oferecer, sempre
mordo tua polpa
e minha boca se enche do teu sumo
te assumo então, tão meu
quanto o sinal na curva do meu pé
sobre o mata-pasto
que cresce perto do açude
assim como meus cabelos
que ninguém corta, que ninguém solta
basta tirar a mão da menina dos meus olhos
pra, em paz, eu imaginar ouvir teu nome
na queda livre de cada folha seca
que se cai dura e repetitiva
e persistem cactos
como as frutas e a sombra (tua sombra)
onde vejo teus galhos ao sol

Jhonn Abreu

O autor do poema mantém um ótimo blog: http://loucura-coagulada.blogspot.com/

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Nu com a minha musica




"Vejo uma trilha clara pro meu Brasil, apesar da dor
Vertigem visionária que não carece de seguidor
Nu com a minha música, afora isso somente amor
Vislumbro certas coisas de onde estou"


"Deixo fluir tranqüilo naquilo tudo que não tem fim
Eu que existindo tudo comigo, depende só de mim
(...)
Coragem Grande é poder dizer Sim."

Caetano Veloso

Mythique et Prosaïque et

Vou me fingir de ateu
mesmo quando matas
todos os deuses
com seu desejo junto ao meu
e me perguntas
"Crer em quê?"

Vou desenganar a Teseu
mesmo quando sois o novelo
desfiado amiúde
da túnica de tua nudez
e aludes
"Labirinto meu"


domingo, 7 de novembro de 2010

A Felicidade

Ao som de I fought in a War, Belle and Sebastian.



Amarrou o cabelo
para não amarrar além.
Tatuou algumas pegadas no calcanhar
para não olhar as suas logo atrás
E não ter a ilusão de não se perder tanto de si.
Açucar na água, sabe:
ela e suas convicções.

Aprendeu a beber por educação a si.
Aprendeu a transar, em qualquer lugar, por sedução de si.
Aprendeu a acender cigarros - por educação às estrelas e por alguma dignidade no breu.

(É certo que meio-dia ou meia-noite, tanto faz, sempre a verá com cigarro entre os dedos, mas não seja indelicado, rapaz...

todo brinquedo-de-ser tem um quê de,

de-ses-pe-ra-da-men-te).